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A nossa relação estranha com os predadores

Fico cada vez mais angustiado quando ouço "andam para aí a largar coisas". E por coisas entenda-se lobos, raposas, águias, cobras, cegonhas e outra bicharada bravia. Não sei se o pessoal baralha essas largadas com aqueles animais que são libertados dos centros de recuperação após recuperarem de lesões, ou seja, não existe reprodução em cativeiro. Nem sei mesmo se comparam essas "largadas" com os repovoamentos legais feitos com várias finalidades.


O que me espanta mesmo é a falta de vontade em perceber que para que essas largadas acontecessem era preciso haver estruturas criação em cativeiro capazes de "produzir" os milhares de animais que se afirma serem largados de Norte a Sul do País. Não havendo qualquer evidência da existência de uma rede de "aviários selvagens" não deixa de ser a certeza que se coloca nesta afirmação.


Há ainda a aparente ignorância relativa à eficiência e eficácia destas reproduções em cativeiro, pois não é a mesma coisa por uma galinha na capoeira ou uma espécie selvagem, muitas delas com requisitos de reprodução que desconhecemos. Sei que as redes sociais acabam por transformar estas tonterias em verdades.


É constrangedor a transversalidade desta ideia e a forma como ela se instalou em todo o país e quem a defende nem para um pouco para pensar de onde vieram esses supostos animais criados em cativeiro. É preocupante a forma como esta ideia impede as mais variadas iniciativas de compatibilização de actividades económicas com a conservação de recursos naturais.

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© 2024 POR ANTÓNIO CLÁUDIO HEITOR. CRIADO COM WIX.COM

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