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Agricultura e Ambiente ... a fábula dos tempos modernos

Estes dois conceitos aos quais correspondem mais do que sectores de actividade, são hoje duas correntes dogmáticas que gastam uma parte significativa dos seus recursos a tentarem apropriar-se mutuamente.


A agricultura afirma ser responsável pela maior parte do ambiente e este contrapõe que sem ambiente não haverá agricultura. Ao mesmo tempo o ambiente acusa a agricultura de o destruir, a agricultura defende-se afirmando que as regras ambientais destroem a agricultura e logo o ambiente por esta produzido.


Assim de repente até me apetece dizer que ambos têm razão, pois na prática falam da mesma coisa. Aliás arrisco dizer que serão apenas duas perspectivas artificalmente opostas, cujo objectivo é o de separar "a mesma coisa". O resultado desta conversa esquizofrénica é a parafernália de dogmas criados por ambos os lados na tentativa de fazer impor a visão simplista de apenas um dos lados.


Estes dois monólogos paralelos nunca serão uma discussão com objectivo de chegar a uma solução consensual. Aliás nenhum dos lados quer discutir, mas sim impor a sua visão. Quem fica a perder? Todos nós que acabamos por assistir ao desaparecer de valores e sabores rurais, e simultaneamente a destruição dos recursos naturais.


E no meio disto tudo estão agricultores, proprietários e cidadãos que se perdem no emaranhado de regras e opiniões, muitas vezes contraditórias. E no fim continuamos a ter de importar bastantes alimentos e matérias-primas, ao mesmo tempo que perdemos fauna, flora, solo, água, paisagens, etc.


Séculos de actividade humana e de civilizações em constante evolução, consumiram, transformaram, construíram e destruíram recursos. E tudo em simultâneo. Sempre que soubemos pôr em prática o nosso conhecimento e a racionalidade que nos caracteriza, as sociedades e os recursos só ficaram a ganhar. Por outras palavras ... evoluimos!


Continuarmos nesta competição irracional para ver quem tem o maior ego é simplesmente uma tontice. Quem sai vencedor serão sempre os chalupas que temem o conhecimento e o diálogo. Por isso semeam disparates e limitam a conversa à volta de frases e conceitos redondos, errados e completamente inócuos.


Continuar nesta guerra artificialmente política apenas serve os interesses daqueles que pretendem apenas se promover. Serve a chalupice, a irracionalidade e a ignorância.

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