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E pá não penses mais nisso ...

Quando tenho a oportunidade de contemplar #momentosadmiraveis como este dou invariavelmente comigo a pensar se a Mafalda quando tiver a minha idade irá ter esta oportunidade. Vou partir do princípio que as nossas paisagens estão sempre em mutação, como sempre estiveram, e como tal dificilmente a cena será a mesma. Mas será substancialmente diferente?


Não sei se é do mau feitio, mas acabo sempre por achar que não, que esses momentos, essas paisagens e essas tradições serão muito diferentes ... e se calhar diferentes para pior. Sim, para pior no sentido da ausência de uso e de população. A consequência desse facto será muito provavelmente o esquecimento de parte significativa da nossa identidade e da nossa cultura. Por isso digo que será pior, pois não me arrisco a analisar a avaliação estética de uma paisagem.


Essa conclusão é sempre seguida de um ímpeto de mudança e de "refilice" que termina quase sempre a barafustar numa rede social, aproveitando uma fotografia que acho interessante. Pois é isso que estou a fazer mais uma vez. Qual é o resultado objectivo desta casmurrice? Muito pouco, pois assim que o mau feitio é arrefecido pelo passar do tempo, lá olho para as coisas friamente e tento racionalizar as "abordagens iniciais".


Seria por isso de esperar que chegaria então à conclusão que lá estou a exagerar e que todas as nossas "Mafaldas" terão oportunidade de vivenciar o nosso património rural e natural. Mas não e não estou a ser teimoso (talvez um pouco, mas isso agora não importa para nada).


Sou confrontado todos os dias com "resmas" de trapalhada regulamentar, acompanhada por toneladas de "propostas de estratégias redondas" e com um crescente de intervenções públicas, no mínimo completamente estapafúrdias. Começa de manhã com a eterna discussão sobre o que é uma floresta e se uma plantação deve ou não ser considerada como tal.


A meio uma dose suave de "alterações climáticas" acompanhadas por sistemas de cálculo de sequestro de carbono. A seguir uma abordagem para renaturalizar a nossa paisagem permitindo que a biodiversidade se mantenha a todo o custo, sem percebermos se queremos ou não mais ou menos espécies, pois se o aumento de biodiversidade for à custa de espécies exóticas (ou mesmo já desaparecidas na última idade do gelo) se calhar esse aumento não deve ser assim tão celebrado. Mas enfim sei que é difícil perceber a diferença entre "número de espécies" e "espécies com interesse para a conservação".


Ainda temos regulamentos para a qualidade e bom estado de conservação do solo, dos habitat e das paisagens, contribuindo sempre como é óbvio para diminuir o "carbono". Não, desculpem não é óbvio, precisa de ser demonstrado!


Termina-se invariavelmente com os incêndios, ou os fogos como lhe quiserem chamar, servidos como complemento da necessidade urgente de acabar com o consumo de carne, com a pecuária, a caça e as touradas. Já agora termina o plástico e substitui-se por ... alto que ia dizer papel! Mas faço papel como se quero terminar com as plantações (ou com as florestas) de eucalipto? Já agora terminado com isso tudo consumimos menos água pois ela é precisa para produzir electricidade para os nossos carros modernos e assim podermos ir ao supermercado ver imagens de produtos agrícolas num ecrã.


Se faltar água temos sempre as plantações (ou se calhar florestas) de eólicas e fotovoltaicos que é uma coisa que fica sempre bem em qualquer lado, principalmente se substituir esse coisa inútil das florestas (ou plantações) de eucalipto e cenas parecidas que só servem para destruir o nosso mundo. Serve, também para produzir uma matéria-prima capaz de, entre outras coisas relevantes, substituir o plástico. Mas isso agora não interessa nada pois estamos a falar de electricidade verde e descarbonização, ou seja, temos de reduzir o carbono e nalgumas situações removê-lo mesmo. Brilhante!!!


Chegado à hora de jantar vou comer o quê? Carne não por causa do carbono e do metano, lembre-se da descarbonização! Vegetais também é melhor reduzir por causa da agricultura intensiva e tudo o que é intensivo é mau. Para além disso é preciso espaço para as ventoinhas e painéis de espelhos, um género de girassol dos tempos modernos. Mas essas coisas dão ao menos algum fruto?


Temos que arranjar um unicórnio inovador carregado de empreendedorismo, capaz de desenhar uma cena dessas que dê frutos. Assim esses frutos já podem ir para o frigorífico alimentado a electricidade verde, vazio de géneros alimentícios tradicionais, por causa da descarbonização, mas com luz. Ou então a ver se inovam e das ventoinhas sai um bife ecológico, só de carbono vegetal, para eu grelhar no fogão a electricidade verde!!! Isto sim é verdadeira economia circular de proximidade e totalmente circular e descarbonizada!


Ou seja, lá electricidade verde ou sou capaz de ter, mas para quê? Carros, telemóveis e outras cenas dessas inovadoras e circulares?


Eu queria mesmo era que a agricultura, a pecuária e a silvicultura tivessem oportunidade de continuar a produzir este mundo #naturalmenterural carregado de #momentosadmiraveis eternos e assim assegurar que a minha Mafalda e todas as vossas Mafaldas os pudessem contemplar quando tivessem a minha idade. Não é pedir muito pois não?


As voltas que o meu neurónio dá à volta de uma planície agroflorestal do Campo Branco!

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