top of page

Faz sentido encher a cidade de cartazes de cabeçudos e ideias vazias?


Enquanto fazia tempo para ir buscar a Mafalda dei por mim a circular no centro de Lisboa em diversas avenidas que conheço bem desde a minha infância. Chegar ao largo do Saldanha (ou ao Campo Pequeno) e ser agredido por cartazes gigantescos de candidatos e suas frases feitas, fez-me questionar se por momentos não teria sido transportado para o século passado.

 

Reparei então que essas bestialidades visuais foram espalhadas pela cidade independentemente do local onde estão e da proximidade de quem por eles passa. São utilizados os mesmos cartazes gigantescos que se utilizam desde o século passado, que devido a esse exagero atiram para cima de quem passa as caras desproporcionadas dos diversos políticos. Deve ser para assustar e afugentar tudo e todos.

 

Esta extravagância bestial pode não passar de um mero pormenor, mas leva-me a pensar um pouco no que são hoje os partidos políticos e os seus intervenientes mais famosos. Se por um lado enchem os discursos de frases carregadas de modernidade, por outro investem em cartazes do século passado, ainda por cima usam-nos de forma errada. Já as frases utilizadas são redondas e vazias, mas por certo refletem o programa respectivo.

 

Dizem querer o progresso e a prosperidade, mas continuam sem reconhecer os "seus" erros do passado e as "virtudes" dos outros. Não existe diálogo e muito menos se discutem os temas e conceitos complexos, pois eles e a "bolha" que os rodeia dizem que o melhor é simplificar para caber em 5 minutos de fama ou 150 caracteres. Assim todos entendem (como se fossemos todos burros e incultos).

 

Assim não me admira o seu desconhecimento sobre o território e porque se limitam a optar por temas e soluções urbanas. Tudo o resto, ou seja o rural e o natural, é apenas um número, vazio e sem complexidade (pois o complexo baralha a lógica destas pessoas).

 

É esta falta de diálogo, de vontade em discutir, em aprender e ouvir outras opiniões leva a que os políticos escolham ter aberrações visuais na praça Duque de Saldanha. Como os partidos hoje são apenas o que os seus líderes querem e pensam, optam por exagerar a sua cabeça em imagens e cartazes de péssima qualidade e gosto.

 

Aliás só assim se entende que os partidos da moderação (ou antigamente moderados) tenham optado por expulsar das listas a qualidade e o livre pensamento em detrimento do "carreirismo partidário" e do seguidores nas reder sociais. Pelos visto é melhor ter seguidores do que opiniões moderadas e capacidade de diálogo.

 

Desta forma ficamos todos a perder. Vamos lá para as eleições que temos mais cartazes para ver e posts para fazer.

 

Estou mortinho por ver a proposta e ideia de território que estes cabeçudos têm para nos propor, mas desconfio que serão vazios de #momentosadmiraveis e de vontade em valorizar este nosso mundo #naturalmenterural.

Comentários


© 2024 POR ANTÓNIO CLÁUDIO HEITOR. CRIADO COM WIX.COM

bottom of page