Sejam profissionais PORRA! Nós merecemos e os "incêndios" não desculpam tudo!
- António Heitor
- 25 de set. de 2024
- 3 min de leitura
Arrisco fazer o pedido de enviarem aos vossos amigos que trabalham na “comunicação social”, pois o jornalismo e o seu trabalho ainda é fundamental para a consciência colectiva.
Para que não restem dúvidas … mato não é lixo e a floresta não precisa de ser “limpa e aspirada”. SIM estas imagens também são de MATOS. Se este é o lixo que produzem em casa então desculpem, o erro é meu e escusam de continuar a ler. Se não é, continuem a ler que não se vão arrepender.
Definições de Mato
Mato (ou arbusto) - Planta perene lenhosa com mais de 0,5 m e menos de 5 metros de altura na maturidade, sem uma copa definida (definição do 6º IFN).
Notas explicativas:
1. Os limites de altura, para matos e árvores, devem ser interpretados com flexibilidade, particularmente a altura mínima das árvores e máxima dos matos, a qual pode variar entre 5-7m.
2. O termo arbustos usa-se geralmente para formações lenhosas de maior dimensão (ex: carrascais, medronhais espontâneos, etc.).
Matos - extensão de terreno com área superior a 5000 m2 e largura superior a 20 m, com cobertura de espécies lenhosas de porte arbustivo, ou de herbáceas de origem natural, onde não se verifique atividade agrícola ou florestal, que podem resultar de um pousio agrícola, constituir uma pastagem espontânea ou terreno pura e simplesmente abandonado (definição usada em Manuais de Apoio à elaboração de PGF).
Em nenhuma publicação técnica ou regulamentar que consultei (e foram várias), aparece a designação LIXO associada à vegetação arbustiva. Tão pouco se menciona a necessidade em LIMPAR, VARRER, ASPIRAR ou LAVAR estas áreas, tão pouco encontrei referência ao tal LIXO que está na FLORESTA que os jornalistas e comentadores afirmam ser mesmo preciso tratar!
Não consultei as regras de recolha e tratamento de resíduos por se afastar "um pouco" das questões florestais que habitualmente fazem parte do meu dia-a-dia. Mas eventualmente pode ser que haja por lá a referência que inclui a vegetação arbustiva da "classe" de LIXO.
Por outro lado, fui verificar quais os “Elementos e Princípios do Jornalismo” e encontrei o seguinte: “É obrigação do jornalista confirmar ou verificar todos os factos que relata, descrevê-los com o máximo rigor possível e sem preconceitos”.
Nos “Princípios e Normas de Conduta Profissional do Jornal Público”, refere-se logo de início que a “Imparcialidade, integridade e independência em relação aos vários poderes e às fontes de informação definem a conduta profissional dos jornalistas do PÚBLICO. Que começa por se distinguir por uma característica natural da sua condição de jornalista: estar bem informado.”
No ponto 5 trata o “Rigor na terminologia com determinada carga semântica", dando nota que "A necessidade de qualificar acontecimentos, organizações ou pessoas não deve ser confundida com juízos de valor.”
Saliento com determinação: “ESTAR BEM INFORMADO”!!!!
Destaco com bastante vigor: “RIGOR NA TERMINOLOGIA COM DETERMINADA CARGA SEMÂNTICA”!!!!!
Sei que é versão de 1998, mas não acredito que a abordagem deontológica e profissional ao rigor tenha mudado e que seja apenas uma “vontade” do Jornal Público (que utilizo pois foi a primeira fonte bibliográfica que encontrei e agradeço desde já).
Desconhecer todos os papeis da vegetação arbustiva nas nossas paisagens e ecossistemas é grave. Só isso seria suficiente para perceberem o erro de classificar essa vegetação com a palavra LIXO. Ou os documentos oficiais e académicos têm andado a "tratar os matos" erradamente, ou falta rigor a alguns (vou ser optimista) jornalistas . Eu estou mais inclinado para a segunda.
Sim há variados exemplos nesta última semana de jornalistas a fazerem-no, apelando à limpeza do mesmo para que os incêndios não voltem a acontecer. Um bom profissional empenhado até poderia cometer o erro de chamar lixo ao mato uma vez. Repetir ano após ano o erro só demonstra preconceito e pouca vontade em informar e muito menos jornalismo..
Já sei que os muitos vão dizer que não estavam a fazer “jornalismo”, estavam a dar opinião ou a comentar. Ou então que as "redações de hoje" não permitem que se aprofundem as coisas. BALELAS, não estou a por em causa a liberdade de opinião, por isso repito com veemência, SEJAM PROFISSIONAIS PORRA!!!!!






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