Sempre à espera do D. Sebastião … até no Mundo Rural
- António Heitor
- 1 de ago. de 2022
- 2 min de leitura
Temos hoje pelo Mundo Rural um pensamento algo contraditório, pois por um lado todos precisamos de alimentos e matérias-primas, mas por outro são cada vez mais aqueles que afirmam perentoriamente que a agricultura e a floresta são responsáveis pela “destruição dos recursos e do planeta”. Esta contradição resulta mesmo no crescimento da vontade em “deixar a natureza seguir o seu rumo” e desta forma, resolver um conjunto de problemas, nomeadamente aqueles que resultam das alterações climáticas.
Se existe um problema, então a cada ciclo político faz-se uma estratégia e depois é só esperar que os cidadãos a cumpram! Se não correr bem é porque os cidadãos não percebem ou não querem perceber! Ou seja, diz-se que vem o D. Sebastião e depois ficamos todos à espera que ele apareça no meio da neblina. Não, infelizmente ele não vem e não é assim que se resolvem problemas complexos.
Enquanto comunidades sempre tivemos uma relação “mística” com muitos dos espaços rurais, particularmente com aqueles mais distantes das povoações. Por isso temos hoje um enorme conjunto de capelas e ermidas em meio rural. Também por isso temos um conjunto de mitos e lendas de origem florestal.
Mas passarmos das fadas e dos elfos para as holísticas alterações climáticas é um passo de gigante. Estamos a dar um passo maior que a perna, porque não estamos a perceber o impacto das estratégias propostas na produção agrícola e florestal, nas sociedades rurais, na sua economia e nos próprios recursos que pretendemos defender.
Não, é tudo menos simples!!! Os problemas complexos não se resolvem por decreto. Resolvem-se da forma como sempre foram resolvidos: operacionalizando medidas e melhorando a sua eficiência. O Mundo Rural tem tempos e dinâmicas próprias que não são compatíveis com ciclos políticos.






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